domingo, 21 de fevereiro de 2010

O Roteiro

O Roteiro deste curta metragem foi criado após eu escrever uma poesia baseada numa história verídica que me foi contada por minha mãe ha muitos anos atrás. 

Após escrever a poesia em 20 minutos. Coisa que assustou meu marido, pois ele não sabia desta minha facilidade (venci um concurso nacional de prosa aos 10 anos de idade, fui convidada a participar da ABL mas minha pouca idade e o fato de morar no interior até então me impediram de poder usufruir deste privilégio... paciência, certo? Aqui está a prosa vencedora: "Que fazer, pergunto a Deus / Onde já não se tem pão / Nem ensino têm os meus / Marajás têm de montão"). Transformei a poesia em um roteiro, depois eu criei uma trilha sonora e ainda vou decupar o mesmo para um Dope Sheet facilitando a confecção do curta.

Pode ser que eu ainda altere alguma coisa do roteiro, mas coisas mais simples como posição de câmera. Nada chocante. E tudo será descrito aqui.

Aqui está o roteiro:

 

"Quero Minha Florzinha"

 

Roteiro adaptado do poema de

 

Iná Leite Duarte

 

- Azhhael Göedert –

 

OBS: não é baseado no conto de Carlos Drumond de Andrade, mas sim em um fato real narrado por uma pessoa conhecida

 

  

Quero Minha Florzinha

 

Dia nublado, mas bonito

Num passeio meio aflito

A mocinha se encaminha

Para o túmulo em linha

- “O que faz neste lugar?”

Se pergunta ao chegar

E se lembra que aqui veio

Em respeito a outro meio

Onde espera encontrar

Uma ajuda auxiliar

Pensa ela,

- “Que flor linda!”

Vê ao lado num jazigo,

Lindo cravo ainda vivo

E depois de uma conversa

Em silêncio meio em pressa

Ela decide:

-“Vou levar!

   Pois que mal há de causar?”

Se despede do amigo

A quem fez algum pedido

Acredita que dos mortos

Pode ter retos os tortos

Com esperança e boa vontade

Coração tem sem maldade

Lindo cravo que já viu

Nas mãos traz então sentiu

- “O quê?”

Disse a quem a ela seguia

Mas ninguém nem nada havia

Segue em frente tendo em mente

Que nem tudo que se sente

Pode ser o que se espera

Ver com os olhos, ver "de vera"

Bem tranquila vai ao lar

Cravo em mãos ao caminhar

Num vasinho ela coloca

A florzinha meio torta

Já murchando tendo em si

Sopro da morte que a sorri

Mesmo assim a moça olha

Com orgulho a planta molha

Chega a noite e vai dormir

Pensa só:

-“Vou conseguir!

  Meu amigo há de ajudar...

  Que florzinha a enfeitar!

  É tão linda! Tão formosa!”

De repente em meio ao sono

Ela acorda, ou será sonho?

Lá está:

- “É um fantasma!”

E ele diz:

- “Eu quero a minha florzinha! Eu quero a minha florzinha!”

A moça empedra

Fica fria e fica dura

Perderia a dentadura

Pelo medo que sentiu

A florzinha atraiu

O fantasma do defunto

Que sem flor se viu disjunto

Do carinho lá dos seus

Noutro dia a moça corre

Leva a flor que ali já morre

Para o mesmo lugarzinho

E coloca com carinho

Mas com medo, com temor

Pois do morto tem terror

- “Aqui está, já tem de volta! Mas me deixe! Olhe a flor torta!”

Ela corre para o lar

E sem nem para trás olhar

E pensando ela conclui

- “Não tem flor que valha isso!

    O respeito é quebradiço,

    pois achamos que o dos outros

    por não mais estarem aqui

    não tem dono na verdade

    e podemos fazer posse

    como se nosso já fosse!

    Ai, nunca mais!”

 

 Cena 1

Take 1 - Pan - Externa - Dia - Nuvens Claras

Foco na personagem

Utilização de DOF para campo

Cemitério

 

Cenário:

 

Caminho de terra com partes em cimento em meio a duas fileiras de túmulos em ambos os lados do caminho, fundo preenchido com imagem de cemitério trabalhada em matte paint para fins do curta

 

Ação:

 

Moça se dirige para o túmulo de seu amigo pouco após o túmulo que tem a flor, fica de lado para a câmera

 

Narrador Off - feminino

 

Dia nublado, mas bonito

Num passeio meio aflito

A mocinha se encaminha

Para o túmulo em linha

- “O que faz neste lugar?”

Se pergunta ao chegar

E se lembra que aqui veio

Em respeito a outro meio

Onde espera encontrar

Uma ajuda auxiliar

Pensa ela,

- “Que flor linda!”

Vê ao lado num jazigo,

Lindo cravo ainda vivo

E depois de uma conversa

Em silêncio meio em pressa

Ela decide:

- “Vou levar,

    pois que mal há de causar?”

Se despede do amigo

A quem fez algum pedido

 

Take 2 - Close - Externa - Dia - Nuvens Claras

Foco na personagem e na flor bem na frente de seu rosto

Utilização de DOF para campo em close

Cemitério

 

Ação:

 

Moça se dirige para a flor, em direção à câmera e pega a flor

 

Narrador Off - feminino

 

Acredita que dos mortos

Pode ter retos os tortos

Com esperança e boa vontade

Coração tem sem maldade

Lindo cravo que já viu

Nas mãos traz então sentiu

 

Take 3 - Close - Externa - Dia - Nuvens Claras

Foco no fantasma

Utilização de DOF

Cemitério

 

Ação:

 

Moça olha pra câmera com cara de assustada e foco nela, olha pra trás e o fantasma some neste momento, ela olha de novo pra frente, o foco vai pro fantasma que a olha ao fundo, ela se dirige para a câmera, ainda um pouco assustada, como quem vai atravessá-la e pode-se ver ao fundo o fantasma no túmulo da flor, não muito feliz com o que a moça fez

 

Narrador Off - feminino

 

- “O que?”

Disse a quem a ela seguia

Mas ninguém nem nada havia

Segue em frente tendo em mente

Que nem tudo que se sente

Pode ser o que se espera

Ver com os olhos, ver "de vera"

Bem tranquila vai ao lar

Cravo em mãos ao caminhar

 

Cena 2

Take 1 - Busto Ampliado - Interna - Tardinha - Anoitecendo

Foco na personagem

Casa da Moça

 

Cenário:

 

Quarto da Moça

 

Ação:

 

Moça coloca a flor em um vasinho em seu criado mudo, coloca água para a flor. Deita-se em sua cama, olha a noite janela, olha pra flor com orgulho e depois dorme. Acorda de repente e se assusta vendo o fantasma em seu quarto bem em frente a sua cama, fica aterrorizada e fecha os olhos com força cobrindo o rosto, quando retira as mãos do rosto o fantasma se foi e ela volta a deitar-se assustada, com medo.

 

Narrador Off - feminino

 

Num vasinho ela coloca

A florzinha meio torta

Já murchando tendo em si

Sopro da morte que a sorri

Mesmo assim a moça olha

Com orgulho a planta molha

Chega a noite e vai dormir

Pensa só:

- “Vou conseguir!

   Meu amigo há de ajudar...

   Que florzinha a enfeitar!

   É tão linda! Tão formosa!”

De repente em meio ao sono

Ela acorda, ou será sonho?

Lá está:

- “É um fantasma!”

E ele diz:

- “Eu quero a minha florzinha! Eu quero a minha florzinha!”

A moça empedra

Fica fria e fica dura

Perderia a dentadura

Pelo medo que sentiu

A florzinha atraiu

O fantasma do defunto

Que sem flor se viu disjunto

Do carinho lá dos seus

 

Take 2 - Pan - Externa - Manhã - Pós chuva com céu cinza

Foco na personagem

Uso de DOF

Cemitério

 

Cenário:

 

Caminho de terra com partes em cimento em meio a duas fileiras de túmulos em ambos os lados do caminho, fundo preenchido com imagem de cemitério trabalhada em matte paint para fins do curta

 

Ação:

 

Moça coloca a flor de volta no túmulo de onde tirou, aterrorizada, ela corre pra câmera de volta saindo de cena, quando então, entra o fantasma em cena, foco nele, ele vê sua flor de volta e faz uma cara satisfeita, depois olha pra câmera encarando-a e voa de uma hora pra outra pra câmera desaparecendo de cena e escurecendo a cena para fim de filme.

 

Narrador Off - feminino

 

Noutro dia a moça corre

Leva a flor que ali já morre

Para o mesmo lugarzinho

E coloca com carinho

Mas com medo, com temor

Pois do morto tem terror

- “Aqui está, já tem de volta! Mas me deixe! Olhe a flor torta!”

Ela corre para o lar

E sem nem para trás olhar

E pensando ela conclui

- “Não tem flor que valha isso!

   O respeito é quebradiço,

   pois achamos que o dos outros

   por não mais estarem aqui

   não tem dono na verdade

   e podemos fazer posse

   como se nosso já fosse!

   Ai, nunca mais!”

 

Créditos

 

Áudio/Sound Track:

 

Composição e edição por Iná Leite Duarte

Um comentário:

  1. parabens, olhei seu blog, e como sempre, sempre me impressionado com voc~e, desde as materias que li, sobre games no site do imasters que tenho um certo contato com voce... parabens e continue assim, quem cedo madruga, Deus sempre ajuda...

    um afago de seu eterno fã!!!

    chaveanjo.

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