O Roteiro deste curta metragem foi criado após eu escrever uma poesia baseada numa história verídica que me foi contada por minha mãe ha muitos anos atrás.
Após escrever a poesia em 20 minutos. Coisa que assustou meu marido, pois ele não sabia desta minha facilidade (venci um concurso nacional de prosa aos 10 anos de idade, fui convidada a participar da ABL mas minha pouca idade e o fato de morar no interior até então me impediram de poder usufruir deste privilégio... paciência, certo? Aqui está a prosa vencedora: "Que fazer, pergunto a Deus / Onde já não se tem pão / Nem ensino têm os meus / Marajás têm de montão"). Transformei a poesia em um roteiro, depois eu criei uma trilha sonora e ainda vou decupar o mesmo para um Dope Sheet facilitando a confecção do curta.
Pode ser que eu ainda altere alguma coisa do roteiro, mas coisas mais simples como posição de câmera. Nada chocante. E tudo será descrito aqui.
Aqui está o roteiro:
"Quero Minha Florzinha"
Roteiro adaptado do poema de
Iná Leite Duarte
- Azhhael Göedert –
OBS: não é baseado no conto de Carlos Drumond de Andrade, mas sim em um fato real narrado por uma pessoa conhecida
Quero Minha Florzinha
Dia nublado, mas bonito
Num passeio meio aflito
A mocinha se encaminha
Para o túmulo em linha
- “O que faz neste lugar?”
Se pergunta ao chegar
E se lembra que aqui veio
Em respeito a outro meio
Onde espera encontrar
Uma ajuda auxiliar
Pensa ela,
- “Que flor linda!”
Vê ao lado num jazigo,
Lindo cravo ainda vivo
E depois de uma conversa
Em silêncio meio em pressa
Ela decide:
-“Vou levar!
Pois que mal há de causar?”
Se despede do amigo
A quem fez algum pedido
Acredita que dos mortos
Pode ter retos os tortos
Com esperança e boa vontade
Coração tem sem maldade
Lindo cravo que já viu
Nas mãos traz então sentiu
- “O quê?”
Disse a quem a ela seguia
Mas ninguém nem nada havia
Segue em frente tendo em mente
Que nem tudo que se sente
Pode ser o que se espera
Ver com os olhos, ver "de vera"
Bem tranquila vai ao lar
Cravo em mãos ao caminhar
Num vasinho ela coloca
A florzinha meio torta
Já murchando tendo em si
Sopro da morte que a sorri
Mesmo assim a moça olha
Com orgulho a planta molha
Chega a noite e vai dormir
Pensa só:
-“Vou conseguir!
Meu amigo há de ajudar...
Que florzinha a enfeitar!
É tão linda! Tão formosa!”
De repente em meio ao sono
Ela acorda, ou será sonho?
Lá está:
- “É um fantasma!”
E ele diz:
- “Eu quero a minha florzinha! Eu quero a minha florzinha!”
A moça empedra
Fica fria e fica dura
Perderia a dentadura
Pelo medo que sentiu
A florzinha atraiu
O fantasma do defunto
Que sem flor se viu disjunto
Do carinho lá dos seus
Noutro dia a moça corre
Leva a flor que ali já morre
Para o mesmo lugarzinho
E coloca com carinho
Mas com medo, com temor
Pois do morto tem terror
- “Aqui está, já tem de volta! Mas me deixe! Olhe a flor torta!”
Ela corre para o lar
E sem nem para trás olhar
E pensando ela conclui
- “Não tem flor que valha isso!
O respeito é quebradiço,
pois achamos que o dos outros
por não mais estarem aqui
não tem dono na verdade
e podemos fazer posse
como se nosso já fosse!
Ai, nunca mais!”
Take 1 - Pan - Externa - Dia - Nuvens Claras
Foco na personagem
Utilização de DOF para campo
Cemitério
Cenário:
Caminho de terra com partes em cimento em meio a duas fileiras de túmulos em ambos os lados do caminho, fundo preenchido com imagem de cemitério trabalhada em matte paint para fins do curta
Ação:
Moça se dirige para o túmulo de seu amigo pouco após o túmulo que tem a flor, fica de lado para a câmera
Narrador Off - feminino
Dia nublado, mas bonito
Num passeio meio aflito
A mocinha se encaminha
Para o túmulo em linha
- “O que faz neste lugar?”
Se pergunta ao chegar
E se lembra que aqui veio
Em respeito a outro meio
Onde espera encontrar
Uma ajuda auxiliar
Pensa ela,
- “Que flor linda!”
Vê ao lado num jazigo,
Lindo cravo ainda vivo
E depois de uma conversa
Em silêncio meio em pressa
Ela decide:
- “Vou levar,
pois que mal há de causar?”
Se despede do amigo
A quem fez algum pedido
Take 2 - Close - Externa - Dia - Nuvens Claras
Foco na personagem e na flor bem na frente de seu rosto
Utilização de DOF para campo em close
Cemitério
Ação:
Moça se dirige para a flor, em direção à câmera e pega a flor
Narrador Off - feminino
Acredita que dos mortos
Pode ter retos os tortos
Com esperança e boa vontade
Coração tem sem maldade
Lindo cravo que já viu
Nas mãos traz então sentiu
Take 3 - Close - Externa - Dia - Nuvens Claras
Foco no fantasma
Utilização de DOF
Cemitério
Ação:
Moça olha pra câmera com cara de assustada e foco nela, olha pra trás e o fantasma some neste momento, ela olha de novo pra frente, o foco vai pro fantasma que a olha ao fundo, ela se dirige para a câmera, ainda um pouco assustada, como quem vai atravessá-la e pode-se ver ao fundo o fantasma no túmulo da flor, não muito feliz com o que a moça fez
Narrador Off - feminino
- “O que?”
Disse a quem a ela seguia
Mas ninguém nem nada havia
Segue em frente tendo em mente
Que nem tudo que se sente
Pode ser o que se espera
Ver com os olhos, ver "de vera"
Bem tranquila vai ao lar
Cravo em mãos ao caminhar
Cena 2
Take 1 - Busto Ampliado - Interna - Tardinha - Anoitecendo
Foco na personagem
Casa da Moça
Cenário:
Quarto da Moça
Ação:
Moça coloca a flor em um vasinho em seu criado mudo, coloca água para a flor. Deita-se em sua cama, olha a noite janela, olha pra flor com orgulho e depois dorme. Acorda de repente e se assusta vendo o fantasma em seu quarto bem em frente a sua cama, fica aterrorizada e fecha os olhos com força cobrindo o rosto, quando retira as mãos do rosto o fantasma se foi e ela volta a deitar-se assustada, com medo.
Narrador Off - feminino
Num vasinho ela coloca
A florzinha meio torta
Já murchando tendo em si
Sopro da morte que a sorri
Mesmo assim a moça olha
Com orgulho a planta molha
Chega a noite e vai dormir
Pensa só:
- “Vou conseguir!
Meu amigo há de ajudar...
Que florzinha a enfeitar!
É tão linda! Tão formosa!”
De repente em meio ao sono
Ela acorda, ou será sonho?
Lá está:
- “É um fantasma!”
E ele diz:
- “Eu quero a minha florzinha! Eu quero a minha florzinha!”
A moça empedra
Fica fria e fica dura
Perderia a dentadura
Pelo medo que sentiu
A florzinha atraiu
O fantasma do defunto
Que sem flor se viu disjunto
Do carinho lá dos seus
Take 2 - Pan - Externa - Manhã - Pós chuva com céu cinza
Foco na personagem
Uso de DOF
Cemitério
Cenário:
Caminho de terra com partes em cimento em meio a duas fileiras de túmulos em ambos os lados do caminho, fundo preenchido com imagem de cemitério trabalhada em matte paint para fins do curta
Ação:
Moça coloca a flor de volta no túmulo de onde tirou, aterrorizada, ela corre pra câmera de volta saindo de cena, quando então, entra o fantasma em cena, foco nele, ele vê sua flor de volta e faz uma cara satisfeita, depois olha pra câmera encarando-a e voa de uma hora pra outra pra câmera desaparecendo de cena e escurecendo a cena para fim de filme.
Narrador Off - feminino
Noutro dia a moça corre
Leva a flor que ali já morre
Para o mesmo lugarzinho
E coloca com carinho
Mas com medo, com temor
Pois do morto tem terror
- “Aqui está, já tem de volta! Mas me deixe! Olhe a flor torta!”
Ela corre para o lar
E sem nem para trás olhar
E pensando ela conclui
- “Não tem flor que valha isso!
O respeito é quebradiço,
pois achamos que o dos outros
por não mais estarem aqui
não tem dono na verdade
e podemos fazer posse
como se nosso já fosse!
Ai, nunca mais!”
Créditos
Áudio/Sound Track:
Composição e edição por Iná Leite Duarte

parabens, olhei seu blog, e como sempre, sempre me impressionado com voc~e, desde as materias que li, sobre games no site do imasters que tenho um certo contato com voce... parabens e continue assim, quem cedo madruga, Deus sempre ajuda...
ResponderExcluirum afago de seu eterno fã!!!
chaveanjo.